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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Alimentação x Candidíase

Microrganismo dimórfico, a Candida é um tipo de fungo fermentativo que normalmente habita a pele, a vagina e todo o intestino, podendo ser considerado comensal (beneficiada, sem causar benefício ou prejuízo ao hospedeiro) ou patogênico (que causa alguma doença), na dependência dos seus fatores próprios de virulência e dos fatores de defesa do hospedeiro (nosso organismo). Cerca de 80% dos adultos com flora intestinal normal podem apresentar Candida albicans, considerado um patógeno oportunista que se fixa normalmente na mucosa do intestino. Existem relatos sobre o fato que parece existir uma relação importante quanto à interação de proteína-proteína entre as células da Candida e a mucosa do hospedeiro, fato que poderia justificar o desenvolvimento preferencial em humanos. Podem acometer isolada ou conjuntamente mucosas, pele e unhas; raramente outros órgãos são atingidos.

Candidíases orais: são lesões erosivas e esbranquiçadas. Mais comum em recém-natos, idosos,  e pessoas. A forma mais comum de candidíase oral é a pseudomembranosa, caracterizada por placas brancas removíveis na mucosa oral (aftas).
Candidíases intertriginosas: acometendo as dobras cutâneas (axilas, inguinais, inframamária e interdigitais). Caracterizadas por lesões eritematosas, erosivas, fissurais, úmidas, com induto esbranquiçado e pruriginoso; e pequenas lesões arredondadas ou pústulas.
Candidíases ungueais e periungueais: lesões eritêmato-edematosas periungueais (chamadas paroníquias), dolorosas, às vezes com saída de secreção purulenta. Várias unhas podem estar acometidas e, eventualmente, em decorrência de lesões nas matrizes, verificam-se alterações distróficas. Observada em indivíduos com exposição prolongada e constante à água, sabões e detergentes. Candidíase é a principal causa de paroníquia.
Queilites angulares: são lesões fissuradas no canto da boca, comuns em casos de alterações na arquitetura bucal como nos idosos, usuários de próteses e neonatos.
Vaginites e balanites por Candida: Lesões erosivas esbranquiçadas, com prurido ou ardência.

Resumindo:  O fungo Candida  pode causar certos tipos de micoses que atingem a superfície cutânea ou membranas mucosas, resultando em candidíase oral, candidíase vaginal e onicomicose (unhas). A forma mais comum de candidíase oral é a pseudomembranosa, caracterizada por placas brancas removíveis na mucosa oral (aftas).

Pessoas mais suscetíveis à Candida são aquelas alérgicas, com má digestão, com infecções virais, síndrome da fadiga crônica, câncer ou que tenham um histórico de uso crônico de drogas como antibióticos, quimioterápicos, antiácidos, esteroides, progesterona, pílulas anticoncepcionais e cortisona.
Interessante comentar que a Candida é mais encontrada em determinados tipos de personalidades, como nas pessoas que s doam, que buscam a perfeição, nas mais estressadas, em indivíduos workaholic ou com manias de trabalho, com baixa autoestima e que apresentam problemas em relação à imagem corporal e querem se manter muito magros. Todas essas características, doenças e estresse tem em comum o fato de provocarem uma diminuição da função do sistema imunológico, favorecendo o super crescimento da Candida. Sua recorrência também está relacionada a períodos de baixa imunidade e baixa energia corporal, uma vez que um organismo fraco é um ótimo ambiente para o rápido crescimento deste fungo, fato que apenas reforça a forte relação entre a doença e o sistema imunológico.

A queda do sistema imune nos indivíduos aumenta a depleção de nutrientes, que, por sua vez, ficam menos disponíveis para a resposta do organismo contra infecções, levando ao descontrole da Candida no trato gastrintestinal.

A Candida albicans é uma das espécies mais conhecidas por ser extremamente comum sua proliferação em mulheres. A candidíase vaginal (CV) ocorre também em mulheres não comprometidas imunologicamente, podendo estar ou não com infecção leve ou moderada. Seu crescimento, também, é favorecido quando há uso contínuo de anticoncepcionais orais de alta dosagem, uso de corticoides, imunossupressores e antibióticos. Portadoras de diabetes mellitus descompensado ou resistência periférica à insulina, também, possuem predisposição à candidíase vaginal.

Para que ocorra a candidíase vaginal clínica, o fungo precisa vencer a batalha com o meio vaginal e invadir a mucosa, causando sintomatologia, que geralmente é favorecida por alguns fatores. Uma característica importante da Candida é sua habilidade de translocação na mucosa do trato gastrintestinal e em indivíduos severamente imunocomprometidos.


A Candidíase não é apenas exclusividade para as mulheres, no homem pode ser comum, apesar de alguns não apresentarem sintomas claros ou não apresentarem todos os sintomas simultaneamente. Quando o crescimento do fungo é exageradamente grande, o homem apresenta sintomas similares ao da candidíase vulvovaginal (sensação de queimação ao urinar; dor durante a relação sexual; asssaduras na cabeça do pênis; leve inchaço; cortes na pele do pênis; manchas ou placas brancas no pênis; coceira no pênis e/ou região escrotal e virilha e eventual corrimento semelhante ao sêmem.

É imprescindível manter em mente que a candidíase normalmente não é uma doença “que se pega”, mas sim uma condição que o próprio corpo desenvolve quando há um crescimento excessivo da população de um fungo que vive normalmente no corpo de todo mundo. É possível “pegar” candidíase de outra pessoa, principalmente através de relação sexual se a outra pessoa estiver passando por uma crise de candidíase. Nesse caso, a contaminação ocorre devido ao contato com uma quantidade muito grande de Candida. O processo é similar à criança que pega sapinho (candidíase oral) ao pegar coisas do chão ou sujas e colocar na boca.

Alguns fatores dietéticos parecem promover o crescimento de Candida tais como: o consumo exagerado e frequente de alimentos fontes de carboidratos de alto índice glicêmico (pão branco, bolachas, arroz e massas com farinha branca), favorecem o aparecimento da Candida albicans, isso ocorre, pois o açúcar é o principal substrato energético desse fungo. 

Além disso, o consumo frequente de alimentos alergênicos, como o leite de vaca, pode promover o crescimento da Candida por causar um desequilíbrio na microbiota intestinal, alterando o pH do intestino e diminuindo a quantidade e ação de bactérias benéficas deste meio. 
Com referência à restrição ao consumo de leite, existem várias razões para esta conduta em pacientes com Candidíase Crônica: 1) O alto conteúdo de lactose promove o crescimento de Candida, 2) leite é um dos mais frequentes alimentos alergênicos; 3) pode conter traços de antibióticos que podem destruir a bactéria da flora intestinal e promover o crescimento de Candida.

Algumas maneiras de prevenir esse desequilíbrio no organismo é a manutenção da saúde da microbiota intestinal através dos “bons” microrganismos, os probióticos, mais conhecidos como lactobacilos e bifidobactérias, eles são responsáveis por fazerem nosso intestino funcionar adequadamente todos os dias, aumentando imunidade, garantindo a boa absorção de nutrientes, diminuindo produção de gases e protegendo nosso intestino de tantas agressões externas.

Como todo fungo a Candida tem afinidade por glicose, então é ideal evitar alimentos que sirvam de combustível para o fungo, como os ricos em açúcar (e todas suas variações) e alimentos que podem facilmente criar fungos, evite alimentos ricos em açúcar que aumentam o pH vaginal.

Durante o tratamento da cândida, é aconselhável evitar a ingestão de amendoim ou seu óleo, uma vez que frequentemente podem estar contaminados com aflatoxinas e fungos considerados imunossupressor. Importante comprar em locais confiáveis e evitar produtos à granel de origem desconhecida.
A aflatoxina é uma das principais micotoxinas existentes, responsável pela contaminação dos grãos do milho, do trigo e, principalmente do amendoim. Fundamental também, que pessoas com candidíase crônica evitem alimentos com alto teor de fungos (durante o tratamento, prefira consumir cogumelo tipo Shimeji evitando o cogumelo paris) e alimentos fermentativos, incluindo bebidas alcoólicas, queijos (tipo gorgonzola) e frutas secas (podem estar com mofo e fungos), esse aconselhamento apenas uma medida profilática e não uma proibição eterna!

Alguns alimentos ainda podem auxiliar no tratamento e prevenção da doença, dentre eles, destaca-se o alho, que possui ação fungicida, sendo um ótimo aliado contra a Candida. Para aproveitar sua ação antifúngica, deve-se consumi-lo cru. A ingestão de alimentos antioxidantes como o cranberry (Vaccinium macrocarpon), também pode auxiliar no controle e prevenção da doença, visto que estudos realizados com esta fruta mostraram que ela apresenta propriedades antioxidantes e pode inibir o crescimento de micro-organismos e a adesão destes na parede no intestino. Evitar excessos de gorduras saturadas e trans, poderemos fortalecer nossas defesas ingerindo gorduras “do bem” aumentando o consumo de azeite de oliva, óleo de coco. além de incluir o Ômega 3, presentes nos peixes (sardinha, atum) e na semente de linhaça.

A suplementação de probióticos é uma estratégia efetiva no tratamento da candidíase, bem como desordens intestinais e infecções urogenitais. Eles atuam no controle da proliferação fúngica e redução de episódios de candidíase vaginal, modulação do sistema imunológico para combater micro-organismos agressores, manutenção de um pH acidificado, mais propício para o desenvolvimento de bactérias saudáveis e absorção de micronutrientes, inclua iogurtes naturais, frutas como maçã, pera, banana e batata yacon (alimentos fonte de prebióticos), frutas e legumes ricos em betacaroteno (Vit. A) tais como mamão, manga, abóbora, cenoura, couve, espinafre e ovos  que são alimentos ricos em vitamina D, contando com 1,1 mcg a cada unidade grande.

Use e abuse dos temperos naturais, tais como cebola e alho (rico em alicina, uma substância anti-inflamatória e antifúngica), orégano, gengibre e cravo da índia (antifúngico) em preparações como chás, p. exemplo.
Micronutrientes, como vitaminas e minerais, também, são capazes de contribuir para a prevenção e tratamento da candidíase vaginal, isso porque o equilíbrio nutricional atua positivamente para a prevenção de diversas patologias, inclusive candidíase vaginal e possíveis síndromes fúngicas.

Diante da complexidade, alguns autores apontam que a candidíase não pode ser tratada somente por alterações dietéticas, mas que estas são de fundamental importância para a eficácia do tratamento antifúngico usualmente empregado. O ideal é uma avaliação com um profissional para poder detectar os gatilhos do problema e poder realmente evitar as crises, principalmente por repetição.

A dieta poderá garantir que a Candida não aumente sua colonização ou que tenha um crescimento insignificativo sem prejuízo ao organismo. O mais importante no que se refere ao tratamento da infecção pela Candida é melhorar a função digestiva e o sistema imunológico: assim, a Candida não encontrará ambiente propício para o seu crescimento excessivo.

Ou seja, a velha e já conhecida orientação: Não existe segredo ou formula mágica, procure consumir de tudo um pouco, de forma equilibrada, incluindo carboidratos sim, tais como arroz, batatas, mandioca, as leguminosa: feijões, lentilhas, ervilha, grão de bico, as proteínas: carnes (bovina, frango, peixes), ovos, e não esqueça das frutas, verduras e legumes que irão garantir ao organismo as vitaminas e minerais, além das gorduras boas com azeite, abacate. 
Dessa forma, nós portadores de DII que somos usuários de medicamentos que podem sim debilitar nossas defesas, poderemos manter nosso organismo melhor nutrido e com maior capacidade de evitar infecções oportunistas.

Referências;

PELEGRIN, Fernanda et al. Nutrição funcional no tratamento da candidíase vaginal. Revista Nutrição, Saúde e Performance, São Paulo, n.43, p. 38-44.


Rita

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